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terça-feira, 2 de junho de 2020

Comunidades Quilombolas e a COVID-19



Comunidades Quilombolas e a COVID-19


Por  MARTA QUINTILIANO 
JILVANI FARIAS DOS SANTOS


1. Olavo José dos Santos (93 anos) 2. Maria Madalena Quintiliano (63 anos)
Quilombo Vó Rita - Trindade/GO
Fonte: Arquivo pessoal

Os quilombos são locais de habitação, cultivo, sobrevivência e resistência. É, portanto uma organização política com várias especificidades e diversidade de algumas regiões e povos da África de onde descendemos. De acordo com a Beatriz Nascimento no filme Orí Quilombo é um espaço territorial onde homens/mulheres se recusaram em ser propriedade de outro homem branco colonizador.

No Brasil atualmente, segundo dados da CONAQ - Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, existem cerca de seis mil comunidades quilombolas entre urbanas e rurais. Deste modo, em todo território brasileiro tem comunidades Quilombolas cada uma com suas especificidades, porém a nossa luta pela dignidade, acesso a terra, políticas públicas efetivas e, preservações das nossas memórias coletivas são o que unem.

Em dezembro de 2019 o mundo conheceu o Coronavírus, causador da doença Covid-19. Este trouxe um imenso desafio para as entidades de saúdes do mundo. No Brasil não diferentemente do resto do mundo, porém, com alguns agravos, principalmente de carácter políticos e intencionalmente fascista, racista e genocida. O primeiro caso confirmado oficialmente no Brasil ocorreu no mês de março em São Paulo, desde então o número de caso vem crescendo de forma exponencial e ainda sem sinais de controle. Atualmente o país está entre os mais afetados e é considerado o epicentro da doença em toda América Latina. 

Apesar do caos, não há por parte do governo brasileiro nenhuma campanha de caráter institucional veiculada a nenhum canal de comunicação que tange sobre o isolamento social, ao contrário disso, participa de manifestações fascistas e anti-democráticas semanalmente, contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde e do próprio Ministério da Saúde, este, há pouco entregue às forças militares, como mais um ato nítido da militarização do governo.

É preciso ser dito que, obviamente os mais prejudicados e que comporão as estatísticas de mortes, como sempre, são os desfavorecidos socioeconomicamente, as comunidades periféricas, morros, favelas e, sobretudo os povos tradicionais. Os povos Indígenas e Negros Quilombolas além das constantes ameaças de caráter público e institucional de ficarem sem suas terras, têm se desdobrado com a resistência que sempre fizeram contra o inimigo anunciado e conhecido e agora também, o invisível.

 A CONAQ através das informações repassadas pelas lideranças das comunidades está monitorando os casos de Covid-19 nos territórios. Os números de casos confirmados não param de crescer, da mesma, as mortas pelo vírus. Esses dados podem variar uma vez que as comunidades mais afastadas as informações são mais difíceis de chegar por vários motivos, de localização, falta de energia elétrica e consequentemente, acesso aos serviços de comunicação. 

 Fonte: Conaq

 A luta dos povos quilombolas ultrapassa no tempo são várias as guerras travadas, não temos respiro nem em nossos solos sagrados. O racismo institucional é um dos responsáveis pelas escolhas de quem irá viver e quem irá morrer (Achille Mbembe), nessas escolhas irresponsáveis, genocida toda a população brasileira sofrerá as consequências em um prazo muito curto. Como dizem os mais velhos, continuam destruindo as nossas florestas.  E com a destruição delas destroem também as nossas vidas e todo um ciclo vital que se desenvolve nos quilombos, através do plantio sustentável, do valor da terra e do cuidado dela, ou seja, destroem os saberes tradicionais e tão logo não haverá nem os destruidores.

A realidade epidemiológica posta aos quilombos do Brasil coloca em cheque o que já denunciávamos há muito tempo, o papel do Estado no que diz respeito à criação e implementação de políticas públicas para oferecer um direito básico aos povos tradicionais, o de viver. Concluímos com isso que o Estado é omisso às causas das comunidades no que diz respeito ao cumprimento constitucional de que todo cidadão tem direito à vida, alimentação, educação, saúde e dentre outros. Por outro lado, há outra face do Estado que funciona muito bem em relação às comunidades quilombolas e aldeias indígenas no país, o de acabar com elas.  Mas continuaremos resistindo, pois somos povo de luta e o Quilombo Vive.
O Quilombo vive!

Sobre os autores do texto : Marta Quintiliano Quilombola da Comunidade Vó Rita da Cidade de Trindade - Goiás, estudante de Antropologia Social - UFG/GO; Jilvani Farias dos Santos Quilombola  da comunidade kalunga - Teresina/GO, estudante de Medicina - UFPel - RS, somos ativistas do movimento quilombola.



Um comentário:

  1. Matéria ótima e de grande importância nesse momento em que estamos vivendo
    Parabéns Marta Quintiliano!
    Parabéns Radio Boa musica FM!

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