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COTISTAS POR ONDE ANDAS ?




COTISTA, POR ONDE ANDAS?

Por Juliana Jardel






Foto: Lorena Coelho / Arte: Kleuber Divino Garcez

Uma coisa que me intrigava na graduação de dança era saber onde se encontravam os cotistas do meu curso. Por onde andavam aqueles jovens negros cheios de sonhos que encontrei na entrevista? Será que foram abduzidos por um buraco sem fim dentro da universidade? Para mim sempre foi motivo de orgulho dizer que fui e sou aluna cotista de uma universidade pública, mesmo que oficialmente me enquadre como declarante, que é o caso da maioria que tiram notas bem superiores e acabam se enquadrando pela ampla concorrência.

Digo e repito, sou cotista com muito orgulho! Digo para não esquecer e para alertar os irmãos pretos que por ventura não entenderam o valor ancestral e político das cotas. Precisamos saudar aqueles que lutaram para que esse direito fosse concedido à população negra. E como canta Bia Ferreira: “Cota não é esmola, e não venha me dizer que isso é vitimismo! Não ponha a culpa em mim para encobrir o seu racismo!”  E não é mesmo, essa reserva de vagas existe para reparar os abismos da desigualdade que foi instalada no Brasil há mais de quinhentos anos.


Foto: rede sociais
 Pois bem! Parecia que eu era única cotista que se encontrava naquele espaço acadêmico e o que me assustava era o silêncio daqueles que eu sabia que eram cotistas. E nas minhas reflexões sobre o porquê se calavam, comecei a pensar o quanto o racismo é perverso, doloroso com aqueles de pele preta. Ele faz com que se envergonhem de um direito, de uma possível reparação. Isso era e é tão violento que os alunos não pleiteavam as bolsas de ações afirmativas, isso tudo para não se exporem como cotistas. Enquanto isso, essas bolsas eram ocupadas por pessoas brancas que alguns casos se autodeclaravam negras reivindicando a sua ancestralidade negra como, por exemplo, a babá negra que é quase da família.

E como os pretos mal sabiam que todos os alunos de pele preta daquele recinto são vistos como usurpadores de vagas! Resumindo, são vistos como cotistas. Creio que a vergonha de ser um cotista se dá pela falta de entendimento de como são aplicadas as cotas; também pela forma que o racismo estrutural e institucional afeta os nossos corpos-mente: quem quer assumir cotista em um país que diz que que cotistas são inferiores ao demais? Que acreditam na meritocracia? E infelizmente essa postura excludente parte de alunos e servidores.

Por várias vezes escutei rumores nos corredores dizendo que é fácil entrar, pois a vaga está separada. Faltam dizer: É só assinar e escolher o curso. Portanto cabe aqui a resposta que não pude dar da forma que eu gostaria: nós estudantes negros batalhamos desde sempre para permanecer vivos com dupla, tripla jornada de trabalho para conseguir sobrevivência nessa sociedade em que mais de 54% da população é negra. No entanto nos espaços de poder o que vemos é o contrário, como diz o pesquisador Muniz Sodré “você olha, olha para esses espaços e não se percebe e como o vampiro que olha para o espelho e não vê a sua imagem refletida”. Eu sinceramente espero que todos os cotistas de todas as Universidades espalhadas pelo Brasil se posicionem, vários dos nossos morrem, outros não puderam entrar para esse espaço, porém lutaram para que você possa estar. Isso é um chamado para vir para a Luta de forma efetiva.  



Sobre a autora: Juliana Jardel, Goiana, professora, bailarina e coreógrafa do CORPO SUSPEITO. Como professora de dança desenvolve um trabalho intitulado Movimentos Atlânticos. Estudante Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Performances Culturais / FCS - Universidade Federal de Goiás (UFG). Pesquisa artistas negros e suas estéticas de dança.

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Comentários

  1. Cada vez mais consciente dos nossos direitos. Zombam destas conquistas, pois sao incapaces de reconhecerem as atrocidades praticadas pelos escravocratas!

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