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Empoderamento preto, a partir de nós mesmos.

 Por Ana Paula Ponciano Serra


Empoderamento para o povo preto a partir de nós mesmos.

Olá pessoal, ouvintes e leitores do Blog da Rádio Boa Música FM, que prazer fazer parte do grupo de  colaboradores.  Eu,  Ana Paula Ponciano Serra, resido em São Paulo, Zona Norte, sou Doutora Enfermeira Especialista, Docente para Área da Saúde, Professora dos Cursos Técnicos, Consultora de Aprimoramento profissional Hospitalar,  Amamentação, Puericultura, Feridas e Curativo. 
Mulher, preta e gorda, sou considerada influenciadora digital, por ter uma página no instagram que hoje mantém quase 17.000 seguidores, onde, na página  posto conteúdos sobre,  inclusão das mulheres gordas e pretas como representante da beleza e a moda, empoderamento e auto-valorização da mulher, em especial da mulher preta e gorda, a partir de si mesma, como forma de libertação de paradigmas sociais, já que a pessoa obesa é invisível em ambientes sociais, onde não há nenhum preparo para nos receber, como cadeiras em cinema, restaurantes, bares, provadores em lojas, etc.  
Nós obesos, somos apontados, ora como doentes, ora como feios, ora como improdutivos e neste contexto,  a pessoa preta e gorda  se torna exclusa duas vezes na maioria dos casos, por ser preta e gorda.
Assim, sentindo necessidade de enaltecer e marcar a presença preta, iniciei postando minhas  transformações nesta página do instagram, sem pretensão de influenciar outra pessoa, e por surpresa muitas pessoas começaram a acompanhar a página e o número de seguidores foi crescendo muito. Posteriormente, fui   buscando referências nas próprias seguidoras como modelo de beleza,  comportamento, positividade e superação na qual também poderia nos inspirar. Depois de um tempo passei a buscar referências internacionais e Africanas. E os seguidores?  Bom, alguns, quase 1000 seguidores ,  se foram.  
Grande maioria  se mantêm, e são realmente bem participativos. A maioria dos seguidores são mulheres, obesas, de várias etnias, e tenho como maior objetivo ressignificar, a condição da obesidade como uma condição, que não deve impedir que você,se veja,  uma pessoa bonita, sexy, alegre e que tem todos os direitos do que uma pessoa corpo social normal, tem, e além disso, valorização da pessoa preta, que também é exclusa,  mesmo participando deste grupo.
Para refletirmos melhor sobre o termo empoderamento, vejamos sua  definição: “Ação de se tornar poderoso, de passar a possuir poder, autoridade, domínio sobre; exemplo: processo de empoderamento das classes desfavorecidas.” 
O dicionário vai além, oferecendo uma extensão deste conceito, caracterizando-o como gíria: “Passar a ter domínio sobre a sua própria vida; ser capaz de tomar decisões sobre o que lhe diz respeito, exemplo: empoderamento das mulheres.”
Analisando nossa ancestralidade, nosso contexto histórico de abusos, flagelamento que a escravidão causou, empoderar uma pessoa preta é algo bem complexo, pois temos muito que desconstruir: sentimentos, pensamentos e ações que nem sequer sabemos como foram enraizados em nós, para depois expandir.
Pois bem, uma visão que tenho sobre minha própria experiência que o Empoderamento preto é primeiramente solitário. 
Em uma profunda auto reflexão sobre nós como indivíduo, posteriormente agir por aquilo que mais te incomoda, depois próximo passo é aos poucos, melhorar a dor daquilo que te afligia e começar a mover por seu desejo como centralidade. Depois conseguir passar esse poder para outro, ou seja, empoderar outra pessoa, conforme descrito na definição de empoderamento.
Esta foto  abaixo, foi tirada no mesmo lugar: em um provador de uma loja. 


A primeira foto tenho 29 anos,  meu ex noivo que registrou a imagem. Eu sai  para perguntar a ele, se tinha ficado bom as roupas que escolhi. Como ter poder, se eu não consigo saber o que eu quero? Se a opinião alheia é quem diz, e dita, qual caminho eu devo seguir! 
Na segunda foto, eu mesma registrei, também em um provador, aqui já com 35 anos e o interessante, que na primeira foto tinha 1.68 cm de altura atualmente tenho 1,71 de altura. Ai vocês me perguntam:Ana como assim? 
A baixa auto-estima, muda o eixo do nosso corpo, coloca nosso olhar para baixo, nos envelhece, nos traz medo, nos envolve em uma atmosfera de tristeza, e isso reflete em todo nosso corpo.
 Aqui neste caso, foi o externo que mudou e consequentemente tudo ao meu redor também foi empoderando. 


Me sentia mais confiante no trabalho, em relacionamento com as pessoas, com tomadas de decisões, em me sentir feliz e realizada comigo mesma, me livrando de um relacionamento abusivo emocionalmente, aprendi a usar minha espiritualidade e intuição como minha melhor conselheira, e consequentemente este comportamento que me empoderou, para que eu pudesse hoje, estar aqui escrevendo e compartilhando com vocês.


O povo preto, meu povo, passou historicamente por um processo de apagamento, profundo, em todos os aspectos: internos e externos, feridas  dilaceraram não apenas na carne, mas a alma. A glória da terra natal, suas riquezas, visão da família, das tradições, espiritualidade e tudo mais que foi arrancado nestes mais de 300 anos de escravidão, inclusive seus nomes para que não fossem reconhecidos alguns como reis, rainhas, príncipes,  princesas, guerreiros e guerreiras.
A meu ver é muito difícil o empoderamento para o  povo preto, a partir da nossa  raça como modelo para isso, já que muitas vezes, ele mesmo não se reconhece como preto. Não consegue achar beleza e poder em sua própria raça, pois não acha isso em si mesmo.


E depois desta construção de uma identidade empoderada, a partir de uma pessoa que não vivenciou suas vivências, não luta a mesma luta que você, que não se parece com você fisicamente , pode criar uma outra prisão, que é tomar como poder, de um grupo, no qual te dá limites para empoderar. Como irei me mostrar, como realmente sou?
Empoderar é trazer a luz assuntos que devemos refletir para que todos, possamos participar de forma igualitária e possamos ser reconhecidas inclusive pela nossa própria raça, como valor, beleza, intelectualidade e potência, passando assim para aqueles que buscam este tipo de conduta o empoderamento. 
Até breve, Ana Paula Ponciano Serra


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