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Hoje é dia 12 de junho, dia dos namorados. Estou sozinha, e agora ?





Hoje é dia 12 de junho, dia dos namorados. Estou sozinha,

agora ?




Por Marta Quintiliano



Foto: Arquivo Pessoal


No começo do mês de junho estava toda empolgada para escrever neste dia, lutei com todas as minhas forças para escrever, daí, nesta semana, eu lembrei que não tenho um companheiro (haha). Escrever o quê? As experiências passadas? Ou sobre a solidão da mulher preta mesmo acompanhada? Palmitagem? Nossa, me vieram tantas pautas e poderia escrever sobre tudo isso tranquilamente, porém seria mais um texto dizendo dos dissabores da vida amorosa.

Portanto quero falar sobre o porquê de estar sozinha: é uma escolha consciente, tranquila por saber que se relacionar não é para todas. Para mim nunca foi uma tortura não ter namorados ou mesmo ter que me casar muito nova – nas comunidades as meninas se casam muito novas -, por vários motivos. Venho de uma família grande, tanto do lado materno como do lado paterno. Do lado materno, as minhas primas, em sua maioria, são casadas, aquelas que são próximas da minha idade já são avós. Mas do lado paterno, a maioria dos meus tios não se casou, e isso nunca foi um problema. Então tive um equilíbrio entre as que se casam bem novas e aqueles que não veem problemas em não se casar.

Eu criei, assim como muitas outras mulheres durante alguns anos, o homem perfeito dentro dos padrões da branquitude, mesmo ciente de que dentro da minha família poucas são as pessoas que se relacionam com brancos, (estou falando da segunda geração). A maioria tinha relacionamentos afrocentrados. E amor para mim sempre teve cor: a cor preta!

Nessa construção social do que é amor, dia dos namorados, casamento e outras coisas eu não caibo, e não tem problema não caber, não encaixar. Descobri que o primeiro passo é olhar para dentro de nós e resgatar o afeto, ou melhor, o afroafeto que existe em cada uma, um de nós. E que estar sozinha não pode ser um peso. Temos que estar leves! Junte dinheiro e vai conhecer um país, de preferência um país que resgate sua/ nossa história; leia livros; conte histórias para as crianças; contemple o céu ao entardecer; tome chás de erva-cidreira; escute as mais velhas que têm tanto a nos ensinar!


As minhas escolhas são muito baseadas nas escutas das mais velhas, na cozinha onde a política da emancipação feminina acontece. Para as mentes colonizadas, a cozinha das mulheres quilombolas é um lugar de opressão. Não! Não para nós! Se trata muito mais que cozinhar. Lá cozinhamos no fogão à lenha a paciência, a sabedoria do autoconhecimento e os afetos que vão muito além do que representa o dia dos namorados.



Foto: Maria Eduarda Bernardes Quintiliano 


Sobre a Autora do texto: Mulher preta, quilombola, ativista, pesquisa redes de afroafetos e cura.



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Comentários

  1. Eu sou indígena,e ouvir/ler Martinha, e sempre uma chama de muito aprendizado. Obrigada! Essa mulher move o mundo!

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  2. Martinha que texto maravilhoso que abraça nossa alma. Sou uma negra nascida e criada na cidade grande, mãe solo sigo independente nunca na solidão.

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