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O Afroafeto como forma de fortalecimento agora e pós - pandemia



O Afroafeto como forma de fortalecimento agora e pós-
pandemia

Por Marta Oliveira
Murilo Oliveira

Foto: Ascom/Seagro
Nos últimos dias temos presenciado em vários países ao redor do mundo protestos contra o Racismo.Após a morte cruel de George Floyd que ocorreu em uma operação racista da polícia nos Estados Unidos, esse fato de certa forma chamou a atenção para até mesmo aqueles que sempre silenciaram a respeito do Racismo, um mal que insiste em perseguir a população negra.
E quanto ao Brasil? Diariamente há uma estrutura que nos remete a relembrar as memórias amargas do tempo em que a escravidão era protegida por lei, (agora é ilegal). Por estrutura me refiro a um mecanismo impregnado no Estado, que reflete nos campos jurídicos,  políticos, econômicos, acadêmicos  e outros.
Como é abordado no título, iremos discorrer sobre as questões que mais afetam a população negra e mais especificamente os quilombolas. Como estudante de economia facilmente me deixo levar para as discussões de cunho social, político e áreas afins, tendo como possíveis soluções algo relacionado a área econômica. Já eu, como uma mulher negra, quilombola e professora de História, escrevo esse texto com o meu filho para denunciarmos as atrocidades que vem ocorrendo com o povo preto desde período escravocrata. Somos uma família  com vivência comunitária, uma experiência que nos conduz a observar com mais facilidade os problemas que têm mais impacto para nosso povo.

Foto: Arquivo Pessoal
Nesse momento de pandemia qual a melhor saída para o nosso povo? Sem dúvidas o momento em que estamos vivendo é o mais conturbado de nosso século, a COVID-19, trouxe consigo perdas incalculáveis, vidas que se foram, empregos perdidos, aumento da pobreza no mundo, mas com ela também veio aprendizados que também devem fazer parte das pautas e discussões atuais.
Nós quilombolas ao longo da história fomos desfavorecidos de políticas públicas, o que implica em desigualdades sociais que podemos observar com mais nitidez nesse período de pandemia. Pouquíssimos tiveram condições de acesso às universidades, ficando a maioria sucumbida aos trabalhos de maior vulnerabilidade e riscos para a saúde da população negra.
Nesse período, como ocorreu em nossa comunidade e também em várias outras comunidades quilombolas, de vários trabalhadores oriundos de quilombos serem demitidos de  seus serviços, justamente por que são, na maioria dos casos, trabalhos repetitivos ou que  dependem de pessoas com pouca escolaridade e qualificação na mão de obra, essas pessoas são as mais vulneráveis nesse período, as que são demitidas primeiro. Toda família sofre por essas perdas, são famílias que assim como qualquer outra tem seus compromissos (financeiros) e desejam honrá-los.
Há um ponto crucial que merece nossa atenção, que é quando se trata da saúde da população negra e quilombola. Historicamente é possível observar as desigualdades também nesse campo. De acordo o Ministério da Saúde, atualmente, cerca de 80% da população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) como plano de saúde é a população negra. O SUS que a princípio é sem dúvida um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública no mundo, abrangendo desde uma simples consulta até cirurgias mais complexas, visa atender a todos e de forma igualitária.
Porém, há pesquisas que indicam que entre os negros há um número maior de insatisfação no uso desse sistema, tendo casos de pessoas que são vítimas de racismo no atendimento. Sem contar várias comunidades quilombolas que não tem hospitais em seus territórios e são obrigados a se deslocarem para cidades mais próximas, sem garantia de atendimentos. E, em casos mais complexos vindo a óbito antes de chegarem ao hospital. Segundo o artigo “Racismo Institucional e Saúde da População Negra” de Jurema Werneck, o racismo produz a naturalização das iniquidades.
Nas comunidades quilombolas,  percebe-se algumas doenças que são desenvolvidas pela ausência de assistência mínima de saúde, onde as condições sanitárias são praticamente inexistentes, a maioria das famílias é que são as responsáveis pelos seus próprios cuidados. Tais ausências podem resultar em diarreias, doenças dermatológicas, Chagas, Malária, Hipertensão e outras devido o pouco acesso a alimentação saudável.
Grande parte dos quilombos se encontra longe dos centros urbanos e em locais que são de difícil acesso, ao longo do tempo principalmente as mulheres se viram na necessidades de desenvolverem a automedicação, que contribuíram para salvar vidas, isso faz parte da nossa cultura, que não pode ser negligenciada pelos profissionais da saúde.
De acordo com a pesquisadora quilombola Marta Quintiliano “[...] afroafeto é a aceitação e disposição à solidariedade emotiva, uma aproximação pelo amadurecimento político e o reconhecimento que as variadas e históricas formas de opressão foram enfrentadas historicamente por uma rede de resistência que se fortalecia e se fortalece, sobretudo pelo afeto, acolhimento, cuidado e respeito”.
 Nesse sentido, como forma de fortalecimento e não apenas escapismos, é necessário a busca constante de melhorias para a população negra e quilombola, é preciso incentivar nossos jovens a ingressarem nas universidades, ocuparem os espaços de poder, terem mais representatividade no campo político e outros, mas, acima de tudo é importante que reconheçamos a força que temos, pois, às vezes é necessário que voltemos para dentro de nós, em busca da  nossas raízes, ancestralidades e termos a consciência de que juntos somos mais fortes. 
Diante de um cenário de tanta instabilidade e descrença nas instituições democráticas, nos sentimos totalmente desnorteados, a sensação é de que ao acordarmos pela manhã aquilo no qual acreditamos ser uma sociedade democrática de direito, não existe mais. É um momento extremamente difícil que a todo o tempo nos coloca à prova de nossas condições físicas e psíquicas.
Nós, sendo o povo que mais contribuiu para construção desse país, merecemos todos os cuidados necessários para preservação da nossa vida, seria interessante se houvesse testagem em massa nas comunidades quilombolas. Para evitar deslocamentos até as cidades, locais de maior foco de concentração do vírus, deveria existir postos de atendimentos que garantissem a alimentação e saúde sem a necessidade de irmos até a cidade. É direito, não estamos pedindo nada de mais!
 Para esse governo as nossas vidas não importam, não somos nem contabilizados nas estatísticas de pessoas contaminadas ou mortas pelo vírus Covid-19. Somos invisibilizados mais uma vez, é a política de quem pode viver e que não pode, e bem sabemos que nossos corpos não são os que merecem viver.
Porém, para nós quilombolas, o quilombo significa um lugar de resistência e também liberdade, acreditamos, que o momento seja de  maior união, com desejo real de contribuir com a mãe, amigos, parentes e todos da comunidade. Por isso acredito que o Afroafeto, seja um caminho para continuarmos firmes, principalmente no sentido emocional.
Por isso, é importante ligarmos para aqueles que estão distantes, praticarmos a economia solidária, realizarmos doações, comprarmos das pessoas que produzem e comercializam os produtos dentro da comunidade. O Afroafeto contribuirá de forma positiva para que continuemos avançando na esperança de uma sociedade mais justa e igualitária. É necessário circular o dinheiro entre nós!
Sobre os autores: Marta Oliveira, mãe, quilombola, professora de História na rede pública, e reside no Quilombo de Agreste-Bahia ; Murilo Oliveira, estudante de Economia na Universidade Federal de Goiás, Quilombola do Quilombo de Agreste-Bahia. 
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