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terça-feira, 21 de julho de 2020

Para as famílias negras a alimentação é um ato "sagrado"


Para as famílias negras a alimentação é um ato “sagrado”



Por Cíntia Aparecida dos Santos Oliveira



Foto: Arquivo pessoal

Antes de começar falando sobre o ato de comer quero me apresentar sou uma mulher preta, mãe de um menino, estudante de nutrição, tenho dez irmãos e sou moradora da cidade de Trindade, no estado de Goiás. Amo cozinhar, apesar de ter uma mãe que nunca gostou muito de cozinhar, porém a memória ancestral nunca se perde está em mim o gosto pela cozinha, bem sabemos que cozinha é um ato de afeto, político e revolucionário. Como uma estudante de nutrição, tenho como objetivo me formar para a realização de um sonho que é atender as pessoas da comunidade de baixa renda que na maioria são pessoas negras. Como sabemos a nutrição como outros cursos da saúde é um espaço elitizado normalmente os estudantes e profissionais são brancos e trabalham para entre eles.

Penso que a troca de conhecimentos alimentares é um caminho viável entre a academia e a comunidade negra, muitas vezes acredita-se que existe apenas um lado da história que os nossos conhecimentos não são válidos e nos livros, muitas vezes, não existe a historiografia da alimentação a partir da população negra. Lógico que sabemos que a alimentação no Brasil provém de vários povos indígenas, ciganos, entre outros, o ato de comer que é uma parte importante na construção das comunidades vai além de colocar o alimento na boca, traz histórias, espiritualidade, coletividade. No entanto, muito consciente que o conhecimento está em todos os lugares principalmente nos mais velhos que são as nossas bibliotecas.

A oralidade é um meio de continuarmos perpetuando o nosso conhecimento, porém é necessário registrar no papel para que outros espaços acessem os tipos de saberes. Penso que estar na academia é também uma forma de democratizar a nutrição, trazer para perto de pessoas que muitas vezes não sabem que somos, o que fazemos.

A comida para a comunidade preta é a maneira de estamos juntos e reunidos, é um ritual, em algumas das nossas reuniões são repassadas receitas que acompanham as nossas bisas, avós e mães, porém com as mudanças alimentares como, por exemplo, os alimentos ultraprocessados e transgênicos, vem cada vez mais tornando o alimento primordial na mesa da população, e isso de certo forma acaba reduzindo o tempo de cozinha de algumas famílias que compram alimentos prontos.

Isso interfere na continuidade da tradição alimentar de um povo por ser muitas vezes mais saborosos com alto adicional de açúcar para tornar o produto mais atraente, no entanto nada se compara a uma comida preparada fresquinha com alimentos que tenha pouco teor de açúcar ou sal e que sabemos que foi feita com afeto. Logo abaixo vocês podem visualizar fotos de algumas comidas que ainda tentamos permanecer vivas da forma que aprendemos com nossas mais velhas.


Nesta primeira imagem nós estamos fazendo pamonha e desde pequenos as crianças vão aprendendo sobre a alimentação negra, e como ela é preparada, isso é muito importante para termos sujeitos conscientes da sua história. 

Fonte: Arquivo Pessoal


Na segunda imagem  é a pamonha pronta cozida no fogão a lenha. Para quem sempre teve contato com uma comida caseira sabe a importância de manter acessa a nossa cultura alimentar. 

Fonte: Arquivo Pessoal

Cozinhar para mim é um ato de amor que ultrapassa as questões de submissão, para nós mulheres negras cozinha é transmitir carinho e resgatar a parte afetiva que vive em nós. 

Sobre a autora: Mulher preta, mãe, estudante de nutrição e cozinheira por amor as tradições negras.


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