m Rádio Boa Música FM / Blog de Notícias e Streaming de áudio e vídeos: Agosto 2020

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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Arte Quilombola - Escrita Quilombola




ARTE QUILOMBOLA
Escrita Quilombola


Por:  Francisca Tainara Eugênio da Silva



 LINHAGEM MATRILINEAR

Eu sou uma linguagem sagrada
Um solo sagrado, um corpo sagrado
Um território sagrado
Um ser diverso, complexo e até revoltado
Com as injustiças a este corpo endereçado

Eu sou Tainara Eugênio, filha de tantas mulheres
Filha de Maria Luzia; parteira
Socorro Eugênio; professora
Ana Maria, liderança quilombola
Filha de Teresinha Maria, minha mãe de barriga

Eu sou uma menina
Apenas uma mulher com várias Tainara dentro de mim
Concebida a partir dessas vozes mulheres que em me vivem,
Pretas, lideranças, agricultoras, professoras e mães
Que me pariram em uma sociedade que caminha
Contra as diversidades

Eu sou tradição!
Mesmo com toda opressão
Eu vou resistir, para existir
Não posso parar!
Talvez eu consiga passar dos 80 tiros
Sem a bala encontrar meu corpo



ESCOLA… REPRODUZ O QUE SOCIEDADES RACISTAS PRODUZ
EDUCAÇÃO E O RACISMOS NOSSO DE CADA DIA


Desde criança sou domesticada, adestrada
a está em um espaço onde não sou representada,
não sinto vontade de ser quem sou em casa, livre!
aqui eles não me escultam, zombam de mim,
do meu corpo, do meu cabelo crespo, da minha pele.
Eu nunca vou falar, não, não vou.
Não quero dá motivo para rirem de me
de algo errado que eu dizer ou perguntas bobas fizer.

O meu professor não me nota,
Será que sou invisível?
eu estou atrás dos meus colegas na fileira, talvez seja isso.
Não me acho inteligente o suficiente para ir ou está a frente.
Apresentar? eu estou escondida atrás dos meus colegas.
Não quero está no centro e ser avaliada, observada e até julgada.
tenho medo deles.
Não vou mais á escola.




SALA DE AULA

A prisão que me deixou durante anos no silêncio,
Hoje, já não me assusta mais.
Meus saberes demonizados e minha africanidade
Ainda estarão aqui quando eu morrer.
Afinal, eu sou ancestralidade.
Sou tradição.
Nessa cela eu vou ensinar um novo hábito de ser, fazer e con/viver.
É uma utopia, mas, “sala de aula essa jaula vai virá”.
A minha desobediência e enfrentamento é o objetivo para isso acontecer.
A fonte é afrontar e lutar por um novo amanhecer.


Sobre a autora: Mulher preta Quilombola, Estudante de Pedagogia na Unilab - CE.


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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Mar de desafios

Mar de desafios


Tantas emoções que foram sentidas/ Num curto espaço de tempo./ Tantas sensações outrora remexidas/ Se transformaram num triste lamento./ Aportaram num cais vazio.../ Em um pôr do sol alaranjado./ E como âncora arrancada de um navio./ Me vi perdido ali parado./ E as tormentas de um mar bravio/ Me fizeram profundamente repensar./ Jogado a esmo à fio.../ No mar da vida a me desafiar.

Navio enfrenta o Mar do Norte em Fúria #ClassicTenMinutes - YouTube

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O STATUS CRITERIOLOGICAMENTE RELEVANTE DA PÓS-VERDADE


O STATUS CRITERIOLOGICAMENTE RELEVANTE DA PÓS-VERDADE


Por : Rogério dos Prazeres
Marta Quintiliano


Foto: Arquivo Pessoal



O problema da pós-verdade tem causado suspeição nas maneiras tradicionais de se fazer jornalismo. E não é só por causa de fake News. A verificação de dados se perdeu na postergação do debate sobre as fontes, ante a proatividade informativa, em que se mitigaram os esforços de detectar as falsidades e destruí-las.[1] Agora, a fim de que inverdades sobre qualquer reputação deixe de se tornar jugo intolerável, todo procedimento investigatório tem se problematizado sobre dúvidas esparsas, subjetivas.  Mas, como a ideia que se encerra sobre a pós-verdade não é uma novidade, agora mais do que nunca resgatar o relato verossímil tem ganhado a aparência de ser algo cada vez mais difícil de ser feito. Não por acaso, quando se fala em divulgação de notícias. Pós-verdade, objetivamente, significa que a verdade não interessa, ela se tornou ultrapassada pela fluência de informações que se revezam umas sobre as outras. Interessam o humor, a ironia da notícia, os memes

Particularmente, pensamos que o termo pós-verdade é um mero eufemismo. Pós-verdade é um outro nome dado para a mentira, para aquilo que não é verdade. E não há nenhuma novidade nesta palavra senão no potencial que a mentira ganha mediante a Internet, via redes sociais e aplicativos de comunicação instantânea, por causa da divulgação em massa de informações caluniosas ou controversas. A pós-verdade tem sido encarada de modo privilegiado ao se discutir política, administração por gestores públicos e privados, estilo de governança; ou seja, a aplicabilidade da pós-verdade tem um terreno fértil para a difusão de informações político-partidárias contra e a favor de uma pessoa, grupo de pessoas, etnias, classes profissionais; enfim, a tudo que importa ou convém à antiga praxe da manipulação ideológica. 

Um dado interessante sobre ela está no caráter de moldagem da opinião pública, como se uma “cortina de fumaça” fosse utilizada para dissipar outras informações, ou ainda, pelo emprego do efeito “luzes de holofote”, para assim fazer as pessoas focarem no descrédito institucional, ou, de uma única pessoa, especificamente. Seja como for, a pós-verdade pode ser vislumbrada como uma mácula na comunicação eletrônica em nossa era. Dizemos isso porque ela não só deveria arremeter à política partidária, pois não podemos esquecer que as relações inter-humanas são políticas por excelência. E bem sabemos que a mentira jamais deixou de ser uma arma política. O jornalismo tem sofrido com a pecha, e a ciência também. 

O curioso é que a instrumentalização dessa arma se vale impregnada na imaginação fértil, acobertada pela ingenuidade de internautas desavisados. O problema da pós-verdade então estaria no critério de avaliação das informações que nos chegam e por nós mesmos são apreciadas, ou por nós são difundidas, mais ou menos aleatoriamente. Somos nós, leitores e intérpretes de informações que corremos os riscos de nos articulamos nas engrenagens e nos vetores de difusão de pós-verdades.

Foto: Arquivo Pessoal
A dissecação de uma pós-verdade há de nos mostrar que a aposta nela é também uma aposta na inabilidade para conferir a geratriz das informações. Sobretudo, compreender a conjuntura social de uma informação, investigar os porquês de uma informação ser ou não disseminada. Recentemente, temos lidado com variadas defesas a favor e contra agentes públicos sem dimensionamento de seus reais comprometimentos e responsabilidades com a causa comum, tradicionalmente desembocando no conflito entre direita e esquerda partidária. Uma discussão pacificada pela física experimental e ensinada às crianças no ensino fundamental voltou à tona com ares de fraude nos últimos anos, a terra não seria redonda, e sim, plana. Há quem diga que Papai Noel não exista, mas Adão e Eva existiram, tese do criacionismo, que está na Bíblia. 

Os assuntos se misturam, colidem uns com os outros, vazam pelos celulares, e estão continuando a escorrer pelos computadores e não vão parar somente nos tablets. Uma notícia este mês escancarou o conceito de pós-verdade no campo do negacionismo científico: com o objetivo de denunciar revistas predatórias, que divulgam estudos supostamente científicos, sem credibilidade, e sem o devido reconhecimento pelas comunidades acadêmicas que se detém sob o assunto, Velaine Guérin, juntamente com outros pesquisadores, publicaram um estudo falso sobre a eficácia da hidroxicloroquina, no tratamento da Covid-19. A revista escolhida foi l'Asian Journal of Medicine and Health (AJMH),[2] que tem função vigente há apenas três anos. Segundo a autora, o estudo já tinha sido recusado por outras revistas científicas, e como tal, foi ignorado. 

De acordo com Fabien Magnenou, jornalista que divulgou o “equívoco” na Franceinfo, a AJMH retirou o artigo eletrônico do ar assim que a denuncia se popularizou. A revista, por sua vez, se defendeu explicando que tudo não passou de um erro.[3] Verdade ou não, fake News só complicam o meio de campo. Outro exemplo que a prejudicialidade da pós-verdade abarca a falta de bom senso dos leitores de notícias, por quaisquer meios, está sob analise desde o dia quatro de julho do ano passado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Para salientar que a prática é criminosa, atentatória contra a cidadania, basta observar que a teia de perfis falsos que influenciam eleições, não só no Brasil como no mundo, crimes de ódio, ciberbullyng, serviços de contra-informação, ataque contra a imagem de pessoas, tem causado na sociedade uma espécie de epoché, uma tipo de suspensão do juízo, cuja consequência é a própria relatização da ideia verdade, senão a total impossibilidade da verdade.

 A pós-verdade desloca do centro das atenções as justificações fundamentadas, e se instala crível por causa da explícita carga de banalização colocada sob elas. Com isso, está a se prover em seu lugar a moldagem das informações divulgadas à revelia, em que a garantia destinadas aos meios de comunicação está sendo subjugada. Ao nosso ver, o status da pós-verdade está posto sobre o descrédito da recepção dada pelos leitores às notícias que escolhem consumir. O conceito mesmo só enfatiza o problema da manipulação e persuasão possível do debate público, abarcada nos mais diversos aplicativos, portais e fontes parcializam os dados difundidos da realidade.  Portanto, a experiência virtual, particular, tem se dimensionado confiável sem que para isso seja exigido um crivo, uma prova, uma referência paralela na História; sem que se questione qual racionalidade está embutida no efeito das comunicações inter-humanas.

Sobre os autores: Doutorando na Universidade Federal de Goiás; Mulher Preta Quilombola; pesquisa Afroafeto e Cura.


[1] Revista Uno. Llorente & Cuenca: São Paulo, 2007, nº 27, 60. p. A Era da Pós-Verdade: Realidade versus percepção. Disponível em: https://www.revista-uno.com.br/wp-content/uploads/2017/03/UNO_27_BR_baja.pdf Acesso em: 18 de agosto de 2020.
[2] Asian Journal of Medical and Health Research (AJMHR). Disponível em: http://ajmhr.com/index.php Acesso em: 18 de agosto de 2020.
[3] MAGNENEAU, Fabien. France Télévisions. SantéMaladieCoronavirus: 12/08/2020  -  Il faut être vigilant pour ne pas se faire piéger" : comment les "revues prédatrices" parasitent les études scientifiques. Disponível em: https://www.francetvinfo.fr/sante/maladie/coronavirus/il-faut-etre-vigilant-pour-ne-pas-se-faire-pieger-comment-les-revues-predatrices-parasitent-les-etudes-scientifiques_4057529.html Acesso em: 18 de agosto de 2020.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

VIOLÊNCIA NAS RELAÇÕES AFETIVO-SEXUAIS ENTRE MULHERES ? PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO.


VIOLÊNCIA NAS RELAÇÕES AFETIVO-SEXUAIS ENTRE MULHERES ?
 PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO.

Por: Paula Cristina de Almeida Silva 


Fonte: Arquivo pessoal


Os debates sobre violência conjugal continuam muito necessários, sobretudo neste momento pandêmico em que muitas de nós que podemos, devemos estar recolhidas em nossas casas. E nosso lar, o ambiente familiar em que vivemos, deve ser um lugar seguro, de acolhida, parceria e colaboração. No entanto, o que temos visto é a crescente nos índices de violência doméstica, nomenclatura generalizada que inclui também a violência conjugal, onde o lar passa a configurar verdadeira ameaça às integridades física, psíquica e emocional das mulheres.

Um recorte ainda incipiente nesta temática são as abordagens sobre sexualidade/orientação afetiva e violência conjugal. Acredito que os relacionamentos entre mulheres tem a especificidade de, em alguns casos, desenvolver uma violência mais sutil do que as relações heterossexuais e isso cria a falsa percepção de pacificidade nata nas relações lésbicas.

Precisamos problematizar a violência conjugal praticada e sofrida por mulheres, ela existe e na grande maioria dos casos sofre um duplo apagamento, uma dupla invisibilização, configurando-se como verdadeiro segundo armário. Primeiramente por que paira sobre esses relacionamentos alguns “mitos” que estão diretamente relacionados com a forma idealizada de socialização e educação das mulheres, onde somos ensinadas desde muito jovens a sermos obedientes, dóceis, domesticadas, amáveis e pacíficas. Criando assim a falsa ideia de que as mulheres são naturalmente pacíficas e não podem ser manipuladoras, agressivas, abusivas ou mesmo violentas. Em segundo lugar, porque é muito difícil para nós que vivemos uma sexualidade dissidente e que afronta a heteronormatividade assumirmos publicamente nosso posicionamento afetivo-sexual-político. Assumir-se lésbica, zami, sapatão, fancha, caminhoneira, é um ato cotidiano de coragem e resistência.

No contexto histórico-social brasileiro a maioria de nós mulheres fomos socializadas sob a égide máxima do judaico-cristianismo, segundo o qual “o amor a tudo suporta”. Fomos ensinadas, dia após dia, a perdoar as pessoas com quem nos relacionamos e inventamos diversas justificativas para os abusos e violências que sofremos. “Ah! Ela só mexeu no meu celular porque estava curiosa”, “só gritou comigo porque estava com ciúmes”, “só me empurrou porque estava brava”.
Fonte: Foto de Internet

Opera sobre nós uma cultura de culpabilização, onde muitas vezes as próprias vítimas acreditam que “deram causa” ao comportamento injusto, abusivo e violento da parceira. E dessa forma, muitas de nós hesitamos ao denunciar a violência praticada por nossas parceiras, muitas vezes por falta de apoio, por falta de termos “com quem contar”. Muitas de nós somos expulsas ou saímos cedo de casa devido à incompreensão heteronormativa de nossas famílias que por vezes não nos aceitam como somos.

Outras vezes por medo de reforçar estereótipos negativos em torno das sexualidades dissidentes, que ainda aparece muito marcado como um desvio de caráter, doença ou perversidade. Tudo isso silencia muitas mulheres a respeito da violência sofrida na conjugalidade lésbica e constrói um “segundo armário” em nossas vidas.É interessante observarmos se, ao lermos os exemplos acima, pensamos nos relacionamentos de nossas amigas, parentes e conhecidas ou se provoca em nós uma reflexão sobre nossos próprios relacionamentos e nossas próprias ações. Sabemos que as relações humanas são construídas através das relações de poder, e por óbvio, as relações entre mulheres também. Ainda que as relações de poder não sejam fixas e imutáveis, o acesso e exercício de poder nas relações não operam de forma equânime entre as parceiras.

O transcurso do tempo é fundamental para que algumas mulheres consigam compreender que foram vítimas de relacionamento abusivo ou de violência conjugal, ou ainda, que suas próprias ações são, ou foram, violentas ou abusivas. Quando se trata das vítimas, sabemos que as redes de apoio e suporte, formadas em sua maioria por amigas ou associações feministas, são fundamentais para a superação da relação abusiva. Ter com quem conversar é muito importante para a superação de um relacionamento abusivo.

Como tentei demonstrar acima, também somos potenciais agressoras, uma vez que ambas as pessoas em relacionamento exercem e resistem ao poder constantemente. Mas para que devo me atentar a isso? Isso quer dizer que todo relacionamento entre mulheres é violento? É óbvio que não! O objetivo destas palavras é estimular nas estimadas leitoras a reflexão. Minha proposta é de que estejamos sempre vigilantes quanto à possibilidade de sermos vítimas e agressoras para que possamos evitar ao máximo a violência conjugal entre mulheres.
Sobre a autora: Mulher Cisgênero, Sapatona, Feminista e Doutoranda na Universidade Federal de Goiás.



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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Flores



Flores 


As flores que eu trouxe/ Já não cabiam mais.../ E aquele coração doce/ Perdeu-se em ilusões banais./ As flores ali ficaram/ À espera de um amor./ E aos poucos elas murcharam/ Pelo abandono que restou./ As flores que ali sucumbiram.../ Simplesmente se despetalaram/ Suas pétalas dali sumiram/ Dos restos que lá deixaram.



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terça-feira, 18 de agosto de 2020

A vítima não é culpada.



A vítima não é culpada.


Por: Marta Quintiliano 



Foto : Imagem da Internet 


Tem dias que preferimos não abrir os olhos e nem ouvir os noticiários que nos abalam profundamente, neste fim de semana veio à tona um dos inúmeros caso de estrupo de vulnerável no país. Um breve resumo, acredito que a maioria de vocês tenha tido acesso em algum momento a essa infeliz história de uma criança de 10 anos que há quatros anos vinha sendo estuprada pelo tio o que acarretou em uma gravidez que traria risco para essa vítima, não apenas por isso mas por tratar-se de uma criança que foi violada do seu direito de ser criança e por um membro familiar.

Quando ouvi o desenrolar do caso de que o hospital universitário Cassiano Antônio Moraes ( Hucam) em Vitória  havia se recusado em fazer o procedimento e que um grupo de pessoas de denominação religiosa extremista estavam fazendo manifesto em favor da vida. Vida de quem? Até agorinha eles estavam dizendo “vidas negras importam” e que eram antifascistas, porém as máscaras caem num piscar de olhos. E  eu já tinha traçado na minha cabeça o perfil dessa criança, ELA É NEGRA, essa afirmação vinha numa frequência que mesmo sem saber muito sobre a vítima ficava “ martelando”.

Num país em que a indignação se volta para a criança, quem tem o direito legal para abortar assegurado por lei no art. 128 parágrafo II “[...] se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal”. As discussões deveriam se pautar nisso, ao invés de se indignarem contra o abusador que está foragido, o que lemos nas redes sociais é um grupo de pessoas a favor de um do abusador, comentários que me fizeram  estar com dor no estômago até agora. Como pode? Onde foi que falhamos? Eu não quero acreditar que todas as pessoas que professam a fé cristã são capazes de julgar uma criança e condená-la?  Se a criança fosse branca, cristã, rica ela teria passando por toda essa violência institucional?

Se fizermos perguntas para algumas mulheres hoje sobre a sua infância com certeza uma boa parte de nós apontaremos casos de assédio e abuso por algum familiar que passam impunes ao logo da vida, enquanto para as crianças e mulheres fica dúvida se de fato o que ela relata é verdade.

Estava conversando com algumas pessoas da minha família e com uma amiga e todos me fizeram alguns apontamentos que achei necessário intervir como por exemplo: O senhor “ fulano” dava balinha para a menina senta no seu colo! Na maior naturalidade essa amiga relatava esse caso de assédio, fiquei incomodada com a fala e disse que a gente precisava conversar um pouco mais sobre assédio, abuso e sobre essa cultura misógina.

No entanto, não quero jamais culpar  mulher quaisquer que seja pela as violências sofridas, até porque sou mulher sei bem como nossos corpos são tratados nessa sociedade que sempre nos criminaliza pelos os crimes dos homens. Temos que mudar essa “chave”, acredito muito nos espaços escolares quando eles trazem à tona as violências sofridas em casa e que muitas vezes passam despercebidas mas no olhar da professora NÃO. Outra questão que precisamos discutir são os espaços de educação  infantil compostos por profissionais do gênero feminino  muito mais do que por masculino, justamente por essa ideia que homem pode “bulinar” as crianças, ou até mesmo porque não é profissão para homens.

Temos que repensar urgentemente sobre essas masculinidades tóxicas, fui criada para sempre desconfiar dos homens e a todo o momento, seja quem for nunca aceitar nada de presentes. E isso por um lado é bom porque se evita algumas violências, mas precisamos nos educar enquanto sociedade, principalmente o masculino, quando afirmamos que todos devem ser feministas estamos falando disso, de uma sociedade em que as mulheres não sejam ensinadas a ter medo dos homens. Eu não quero ter que ensinar as minhas sobrinhas que tenham cuidado com os homens novos e velhos que não aceitem nada repetindo o que me foi ensinado.

Porém, com um adendo que elas nos contem sempre se algo de estranho acontecer, dando a liberdade para tenha confiança na família, pois o abusador ele tem todas as estratégias para prender a vítima em suas ameaças psicológicas como dizer que ninguém acreditaria na vítima, assim como outras ameaças.  


Essa criança que viveu anos de horrores que não sabemos se serão apagados de sua memória. Provavelmente não! Eu sinto muito uma criança ter que passar por um momento de tamanha violência e não adianta dizer que ela tinha idade suficiente para denunciar o abusador. Isso é maldade, crueldade, responsabilizar a vítima por um ato que não é sua CULPA. 

Sobre a autora: Mulher preta quilombola, pesquisa Cura e Afroafeto.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Difíceis tempos



Difíceis tempos


É tempo de recolhimento/ De silenciar os mortos.../ É tempo de enumerar pertencimento/ De empilhar os corpos. / De orações serem ouvidas/ Sem velas e despedidas./ De corações calarem suas batidas/ Sem clamores nem desmedidas. / Olhos transformados em correntezas/ Deixando cair suas dores.../ Olhos refogados em incertezas.../ Lavando a saudade de seus amores.




A dor da perda… | Imagens de luto, Foto de luto, Mensagens de luto

terça-feira, 11 de agosto de 2020

As novas/ velhas facetas do Racismo


As novas/velhas facetas do Racismo


Por: Marta Quintiliano
    Murilo Oliveira


Fonte: Imagem da Internet



Nos últimos meses, quase todos os dias vemos nas mídias tradicionais e redes sociais  que acabam sendo mais velozes, como dizem no jornalismo “o furo da notícia” – que através do celular ligado o próprio sujeito produz conteúdos e ao vivo ou em segundos lança em suas redes as notícias das mais variadas. Cada vez mais trazendo à tona a faceta dos racistas que estão em todos os lugares e que não tem vergonha de cometer seus crimes, afinal de contas é só pedir desculpas ou dizer que tem transtornos mentais, ou ainda oferecer suas redes sociais para o “lugar de fala”, por que tá na moda ser antirracista.

Todos os  racistas sabem que não serão  punidos pelos seus atos, afinal a estrutura racista os protegem. Apesar de o racismo ser crime no Brasil, a maioria das denuncias são configuradas como injúria racial e o sujeito que comete tal ato passa ileso com raras exceções dos casos que pagaram indenização a vítima. Toda vez que vejo, sinto e ouço casos de racismo a única que sei fazer é chorar, chorar e vem nas minhas memórias várias situações de racismo, injúria, xenofobia que já passei e muitas vezes sem nem entender o porquê estava passando por aquilo.

Poderia listar aqui várias das situações que passei e que para os amigos brancos era fantasia da minha cabeça, às vezes duvidei dos episódios de racismo acreditando que de fato não era para tanto, mas dentro de mim aquilo queimava, sentia náuseas, dores de cabeça, depois de um tempo fui entendendo a pacto que existe entre a branquitude. Ninguém “deleta” ninguém, no final eles defendem os seus pares por julgarem serem melhores que a comunidade negra e aproveitam a falácia da democracia para afirmarem que somos todos iguais. Iguais? Somos mais de 54% da população brasileira e o que vemos é uma pirâmide em que na base estão às mulheres negras que mesmo com formação acadêmica recebem 50% menos que os homens brancos.

 E a cada vinte três minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, e com a pandemia os homens negros são os mais atingidos, uma vez que estão na linha de frente  nas entregas em domicílios de vários produtos, entre eles a alimentação. Ao se tratar das mulheres negras, elas são as mais atingidas pelo feminicídio, pela criminalização do aborto, pela violência doméstica e obstétrica.

A branquitude tem os privilégios simplesmente pela a cor da sua pele isso já basta!  E a nós, pessoas negras, temos que estar atentos em todos os lugares sejam quais forem escola, teatro, rua, casa de amigos, bares, igreja, pasmem, não existe lugar seguro!  Não temos o "privilégio" de relaxar, pois o tempo todo estamos preocupados se vamos passar por algum constrangimento, se passamos uma noite sem nenhum episódio, pode esperar que nos últimos segundos alguém vai aparecer para fazer um “elogio” e se reagimos, somos loucas/os por não aceitarmos os elogios, me diz se uma pessoa que você nunca viu coloca a mão no seu cabelo e pergunta “como você faz para lavar?” Isso é elogio?

Fonte: Imagem da Internet

No mais, Irmãos e Irmãs negros e indígenas, enfim, todas as minorias, denunciem sempre que passarem por situações de racismo, discriminação, xenofobia. A branquitude precisa compreender que nós não vamos recuar, nunca fizemos isso, estamos aqui vivos porque nós temos estratégias de sobrevivência ancestral. O Quilombo Vive!


Sobre os autores: Mulher preta Quilombola, pesquisa Afroafeto e Cura; Homem preto e Quilombola estudante de Economia na Universidade Federal de Goiás.

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