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terça-feira, 25 de agosto de 2020

O STATUS CRITERIOLOGICAMENTE RELEVANTE DA PÓS-VERDADE


O STATUS CRITERIOLOGICAMENTE RELEVANTE DA PÓS-VERDADE


Por : Rogério dos Prazeres
Marta Quintiliano


Foto: Arquivo Pessoal



O problema da pós-verdade tem causado suspeição nas maneiras tradicionais de se fazer jornalismo. E não é só por causa de fake News. A verificação de dados se perdeu na postergação do debate sobre as fontes, ante a proatividade informativa, em que se mitigaram os esforços de detectar as falsidades e destruí-las.[1] Agora, a fim de que inverdades sobre qualquer reputação deixe de se tornar jugo intolerável, todo procedimento investigatório tem se problematizado sobre dúvidas esparsas, subjetivas.  Mas, como a ideia que se encerra sobre a pós-verdade não é uma novidade, agora mais do que nunca resgatar o relato verossímil tem ganhado a aparência de ser algo cada vez mais difícil de ser feito. Não por acaso, quando se fala em divulgação de notícias. Pós-verdade, objetivamente, significa que a verdade não interessa, ela se tornou ultrapassada pela fluência de informações que se revezam umas sobre as outras. Interessam o humor, a ironia da notícia, os memes

Particularmente, pensamos que o termo pós-verdade é um mero eufemismo. Pós-verdade é um outro nome dado para a mentira, para aquilo que não é verdade. E não há nenhuma novidade nesta palavra senão no potencial que a mentira ganha mediante a Internet, via redes sociais e aplicativos de comunicação instantânea, por causa da divulgação em massa de informações caluniosas ou controversas. A pós-verdade tem sido encarada de modo privilegiado ao se discutir política, administração por gestores públicos e privados, estilo de governança; ou seja, a aplicabilidade da pós-verdade tem um terreno fértil para a difusão de informações político-partidárias contra e a favor de uma pessoa, grupo de pessoas, etnias, classes profissionais; enfim, a tudo que importa ou convém à antiga praxe da manipulação ideológica. 

Um dado interessante sobre ela está no caráter de moldagem da opinião pública, como se uma “cortina de fumaça” fosse utilizada para dissipar outras informações, ou ainda, pelo emprego do efeito “luzes de holofote”, para assim fazer as pessoas focarem no descrédito institucional, ou, de uma única pessoa, especificamente. Seja como for, a pós-verdade pode ser vislumbrada como uma mácula na comunicação eletrônica em nossa era. Dizemos isso porque ela não só deveria arremeter à política partidária, pois não podemos esquecer que as relações inter-humanas são políticas por excelência. E bem sabemos que a mentira jamais deixou de ser uma arma política. O jornalismo tem sofrido com a pecha, e a ciência também. 

O curioso é que a instrumentalização dessa arma se vale impregnada na imaginação fértil, acobertada pela ingenuidade de internautas desavisados. O problema da pós-verdade então estaria no critério de avaliação das informações que nos chegam e por nós mesmos são apreciadas, ou por nós são difundidas, mais ou menos aleatoriamente. Somos nós, leitores e intérpretes de informações que corremos os riscos de nos articulamos nas engrenagens e nos vetores de difusão de pós-verdades.

Foto: Arquivo Pessoal
A dissecação de uma pós-verdade há de nos mostrar que a aposta nela é também uma aposta na inabilidade para conferir a geratriz das informações. Sobretudo, compreender a conjuntura social de uma informação, investigar os porquês de uma informação ser ou não disseminada. Recentemente, temos lidado com variadas defesas a favor e contra agentes públicos sem dimensionamento de seus reais comprometimentos e responsabilidades com a causa comum, tradicionalmente desembocando no conflito entre direita e esquerda partidária. Uma discussão pacificada pela física experimental e ensinada às crianças no ensino fundamental voltou à tona com ares de fraude nos últimos anos, a terra não seria redonda, e sim, plana. Há quem diga que Papai Noel não exista, mas Adão e Eva existiram, tese do criacionismo, que está na Bíblia. 

Os assuntos se misturam, colidem uns com os outros, vazam pelos celulares, e estão continuando a escorrer pelos computadores e não vão parar somente nos tablets. Uma notícia este mês escancarou o conceito de pós-verdade no campo do negacionismo científico: com o objetivo de denunciar revistas predatórias, que divulgam estudos supostamente científicos, sem credibilidade, e sem o devido reconhecimento pelas comunidades acadêmicas que se detém sob o assunto, Velaine Guérin, juntamente com outros pesquisadores, publicaram um estudo falso sobre a eficácia da hidroxicloroquina, no tratamento da Covid-19. A revista escolhida foi l'Asian Journal of Medicine and Health (AJMH),[2] que tem função vigente há apenas três anos. Segundo a autora, o estudo já tinha sido recusado por outras revistas científicas, e como tal, foi ignorado. 

De acordo com Fabien Magnenou, jornalista que divulgou o “equívoco” na Franceinfo, a AJMH retirou o artigo eletrônico do ar assim que a denuncia se popularizou. A revista, por sua vez, se defendeu explicando que tudo não passou de um erro.[3] Verdade ou não, fake News só complicam o meio de campo. Outro exemplo que a prejudicialidade da pós-verdade abarca a falta de bom senso dos leitores de notícias, por quaisquer meios, está sob analise desde o dia quatro de julho do ano passado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Para salientar que a prática é criminosa, atentatória contra a cidadania, basta observar que a teia de perfis falsos que influenciam eleições, não só no Brasil como no mundo, crimes de ódio, ciberbullyng, serviços de contra-informação, ataque contra a imagem de pessoas, tem causado na sociedade uma espécie de epoché, uma tipo de suspensão do juízo, cuja consequência é a própria relatização da ideia verdade, senão a total impossibilidade da verdade.

 A pós-verdade desloca do centro das atenções as justificações fundamentadas, e se instala crível por causa da explícita carga de banalização colocada sob elas. Com isso, está a se prover em seu lugar a moldagem das informações divulgadas à revelia, em que a garantia destinadas aos meios de comunicação está sendo subjugada. Ao nosso ver, o status da pós-verdade está posto sobre o descrédito da recepção dada pelos leitores às notícias que escolhem consumir. O conceito mesmo só enfatiza o problema da manipulação e persuasão possível do debate público, abarcada nos mais diversos aplicativos, portais e fontes parcializam os dados difundidos da realidade.  Portanto, a experiência virtual, particular, tem se dimensionado confiável sem que para isso seja exigido um crivo, uma prova, uma referência paralela na História; sem que se questione qual racionalidade está embutida no efeito das comunicações inter-humanas.

Sobre os autores: Doutorando na Universidade Federal de Goiás; Mulher Preta Quilombola; pesquisa Afroafeto e Cura.


[1] Revista Uno. Llorente & Cuenca: São Paulo, 2007, nº 27, 60. p. A Era da Pós-Verdade: Realidade versus percepção. Disponível em: https://www.revista-uno.com.br/wp-content/uploads/2017/03/UNO_27_BR_baja.pdf Acesso em: 18 de agosto de 2020.
[2] Asian Journal of Medical and Health Research (AJMHR). Disponível em: http://ajmhr.com/index.php Acesso em: 18 de agosto de 2020.
[3] MAGNENEAU, Fabien. France Télévisions. SantéMaladieCoronavirus: 12/08/2020  -  Il faut être vigilant pour ne pas se faire piéger" : comment les "revues prédatrices" parasitent les études scientifiques. Disponível em: https://www.francetvinfo.fr/sante/maladie/coronavirus/il-faut-etre-vigilant-pour-ne-pas-se-faire-pieger-comment-les-revues-predatrices-parasitent-les-etudes-scientifiques_4057529.html Acesso em: 18 de agosto de 2020.
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