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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Diário,1992.

         

   Diário, 1992.

Por : Juliana Jardel


Foto: Arquivo Pessoal
 

Ontem encontrei meu diário do ano de 1992, foi um presente que recebi da minha tia Lina (já retornou para a massa de origem) fiquei emocionada com o que estava escrito no mesmo. Eu tinha apenas 15 anos. Morava na avenida um, Nova Vila. Goiânia-Goiás. Minha mãe Vanilda, trabalhava dia e noite para que eu e meus irmãos pudéssemos estudarmos,  alimentarmos bem e ter uma “beca” da hora. Em suas primeiras páginas eu descrevo a minha satisfação em conhecer jovens legais e cheios de sonhos como eu. Em especial falo de um amigo em que eu confiava em dividir as mazelas e os sonhos. No decorrer do texto ofereço a Canção da América do cantor Milton Nascimento.


“Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi”…

 

Hoje me permiti ouvir tal canção pensando o quanto sou especial pra mim. Eu hoje acordei Snoop Dogg. Realmente eu não vejo mal algum se sentir especial, em agradecer sua própria existência. O ano de 1992, para ser exata no registro 02/10/1992 foi uma data em que eu começava a fazer minhas próprias escolhas. E o que me alegra é que essas escolhas reverberam no momento no hoje, no agora. Eu realmente não sei como cheguei viva até aqui. E por esse motivo parei de me julgar tanto e ter orgulho da mulher de 42 anos que me tornei. A menina de 15 anos, hora ou outra aparece para lembrar que a vida é linda, mesmo com todo o racismo estrutural dizendo que não.

Foto: Arquivo Pessoal

Sempre me perguntam quando e como eu me tornei militante. Para nós de pele preta a militância é um ato de sobrevivência. Portanto eu nasci militante, pois eu sempre desejei por direito desfrutar de tudo que essa terra dá. Fico orgulhosa em ver no meu diário, meus sonhos e minha consciência racial estampada naquelas páginas. A mulher de 42 anos estava em 1992, e a menina de 15 está em 2020. Viva, firme. Militando nos dias de hoje para ter o direito de comprar uma simples balinha, ou obter um simples documento que é seu por direito. 

Ser guerreira o tempo todo cansa! E não venha me dizer pra relaxar. Não dá pra relaxar, um vacilo vocês me fuzilam.

Sobre a autora:  Goiana, professora, bailarina e coreógrafa do CORPO SUSPEITO. Como professora de dança desenvolve um trabalho intitulado Movimentos Atlânticos. Estudante Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Performances Culturais / FCS - Universidade Federal de Goiás (UFG). Pesquisa artistas.


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