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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Papo sobre cinema!

Fonte: Pinterest



    E ai pessoal como vocês estão?

    Eu sei que 2020 já acabou, mas como ele não foi feito só de coisa ruim resolvi conversar com vocês também sobre o Melhor filme de 2020

    Eu quase quase quase vim falar sobre O Resgate ou O Poço, mas o filme do Ano vai além da ação lindamente coreografada ou da história interessante e repleta de simbologia e claro, só poderia ser um filme dirigido por um mestre que na real sim tão importante quanto Scorsese, Spielberg e esses outros monstros que são falados o tempo todo.

    "Eu acho que, os Estados Unidos nos deve, nós construimos essa merda!" Pois é Norman dívida histórica é um ponto em tudo que o Brasil também nos deve, construímos e fizemos história aqui mas são os colonizadores que tem estátuas e imagina você que aqui homens e mulheres negros que estão nos livros de história são mostrados como brancos.

    Sim, eu estou falando de um filme directed by Spike Lee, que fala sobre a guerra do Vietnã como você com certeza nunca viu. Da 5 Bloods (Destacamento Blood), é como um Headshot a queima roupa por dois motivos, o seu claro posicionamento e a época que ele foi lançado, falar abertamente sobre o quão ruim foi a escolha do atual Presidente e criticar firmemente a Guerra em que os EUA teimam em fingir que ganharam onde no fim das contas a única coisa que o país fez foi jogar vidas negras para morte bem durante o momento em que os protestos contra o racismo estouraram no país? Isso foi lindo.

    Mas não é só isso que torna esse o melhor filme, Spike Lee tem o jeito, ele sabe fazer bem o trabalho dele e aqui ele mostra muito bem isso. Cada escolha de enquadramento nas câmeras que param quase um minuto que revelam símbolos específicos, vídeos e fotos reais mostradas durante o filme, na estética ou mesmo na mudança de proporção da tela, primeiro variando de 16:9 durante todo o primeiro ato, 4:3 nas lembranças e abrindo totalmente a tela no terceiro ato.

    A trama mostra a jornada de 4 veteranos que voltando ao Vietnã oficialmente para buscar os restos mortais de seu companheiro e comandante Norman, nossa saudoso Chadwick Boseman, mas extra-oficialmente também foram buscar o ouro que esconderam lá na época da Guerra.

    Durante esse percurso o filme faz questão de falar algumas verdades, como por exemplo o fato de termos heróis cinematográficos como Sylvester Stallone e Chuck Norris, mas quem realmente lutou foram os negros, a escolha infeliz do Presidente Americano e ainda com apoio de alguns negros como por exemplo Paul (Delroy Lindo), que é um dos veteranos, um homem visivelmente atormentado pela guerra que ainda acaba reproduzindo todo tipo de pré conceito e toda aquela superioridade Americana dos que gostam de sempre se dizer os melhores dos melhores do mundo e ter suas próprias versões de tudo (Americanos de verdade sabe), ele também é protagonista de um ótimo monólogo (sim tem espaço para um monólogo no filme), onde ele durante uma crise de loucura não fala sozinho ele fala diretamente com a câmera e aí eu deixo a cargo de cada um de vocês saber se ele está falando contigo ou não.

    E por falar em racismo, chega a doer saber que os soldados brancos ensinavam os vietnamitas a não gostar dos negros, porque escravizar, marginalizar e mandar para a morte não é o suficiente, tem que fazer todo o mundo não gostar de negros, mas o filme não mostra só a tristeza dos soldados negros americanos, existe uma humildade aqui em mostrar também que os viatnamitas também sofreram e ainda sofrem por conta da guerra, uma cicatriz assim como a nossa que ainda sangra.

    O filme dá muita atenção para Paul o que faz sentido pois é o mais traumatizado dentre os personagens porém eu particularmente gosto bem mais do Iris (Clarke Peters), ele é o pé no chão do presente do filme, assim como Norman é no passado mas não tão poderoso como ele. E por falar em Norman o roteiro e a direção são muito inteligentes em não só falar o quanto ele era especial mas também fazer questão de mostrar, ele é o líder dos Black Panther, é Mohamed Ali, Malcon X e ao mesmo tempo é Martin Luther King e está morto no filme pois seria impossível ter todo esse poder na tela e o filme ter uma história hahahaha o cara é demais. 

    Acho que falei demais já, mas gostaria de ainda ressaltar a trilha sonora maravilhosa e certeira que hora traz de propósito músicas dos filmes de guerra de gente branca e hora traz sons dignos da Blaxploitation, dizer que eu poderia falar sobre esse filme por horas e contar a quantidade de vezes que ele repete o descontentamento pelo Presidente laranja e por fim… Spike Lee fez mais um filme de guerra tão bom quanto os filmes de guerra dos outros, o filme vai ser premiado ou a Academia vai encontrar mais um filme de alguém dirigindo um carro para dar o Oscar no lugar dele?

Solid!



Por: K. Kong



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Um comentário:

  1. Parabéns! Você é um ótimo comentarista!
    Estarei atenta para os próximos ..
    Valeu Rádio Boa Música FM como sempre mandando bem 😘😘😘😘

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